Professor Aristides
A vida se desenvolve, sob muitos aspectos, em casa, onde há o convívio entre pais, irmãos, parentes, vizinhos e visitas. Em casa as pessoas possuem ferramentas, biblioteca, computador, televisão, despensa, geladeira e se sentem seguras.
A casa depende de sua localização, do seu entorno arquitetônico, socio-econômico, cultural e político. Nesse entorno, o fundamental é o emprego, pois com ele tem-se salário e, consequentemente, acesso às mercadorias e serviços.
Os salários precisam ser bons, pois assim as pessoas conseguem manter suas casas, ter boas escolas para si e para seus filhos, saúde, seguridade social, justiça, habitação, lazer, cultura e relacionamentos de maior escolaridade.
No campo, a pequena propriedade funciona como casa e como emprego. Daí a importância da Reforma Agrária e da criação de mecanismos de proteção às comunidades nativas, tradicionais e agroecológicas.
Nos últimos oito anos o salário mínimo no Brasil cresceu significativamente.
Em abril de 2002: salário mínimo igual a 86 dólares.
(Fonte: polnewsno.blogspot.com/ acesso em 02/04/2010)
Em abril de 2010: 289 dólares.
Além de fazer bem aos trabalhadores e às suas famílias, os bons salários fazem bem à economia do país, pois engrandecem o mercado consumidor e, assim, a indústria e a agricultura vendem mais, geram mais empregos e elevam ainda mais os salários.
Alguns setores reclamam do aumento de salários. Há empresas que não conseguem se adaptar à nova realidade e quebram. Empreendimentos rurais que respeitam a legislação trabalhista e cujos produtos agrícolas são muito baratos no mercado também sentem dificuldades com esse aumento. Muitas famílias não conseguem manter seus empregados ou empregadas domésticas.
Os aposentados, embora não reclamem do aumento do salário mínimo, sentem drasticamente a defasagem crescente entre o aumento do mesmo e o de seus proventos, justamente quando atingem a idade em que os planos de saúde e os remédios lhes ficam mais caros.
Como os salários na Europa, Japão e EUA são muito maiores, há uma margem grande para o seu crescimento no Brasil, sem prejuízo para os preços dos seus produtos enquanto concorrentes no mercado internacional.
Em quase todos os países europeus, o salário mínimo está à frente do Brasil. Vejamos alguns, por exemplo, em janeiro de 2009:
- Luxemburgo: 1642 euros. (3942 reais)
- Irlanda: 1462 euros. (3508 reais)
- Bélgica: 1387 euros. (3328 reais)
- França: 1321 euros. (3170 reais)
- Portugal: 450 euros. (1080 reais)
Fonte: Eurostat. (www.bomdia.lu > acesso em 31/03/2010)
Fonte: 1 euro igual a 2,40 reais (oglobo.globo.com/plantão/ > acesso em 02/04/2010)
Como um certo índice de trabalhadores desempregados empurra os salários para baixo, o sistema capitalista até parece ter um mecanismo intencional de manutenção de um alto nível de desemprego. Funcionando assim, os trabalhadores precisam reagir estando sempre sindicalizados e em estado de mobilização para a defesa dos empregos e dos salários, pois o patrão, contraditoriamente, embora sempre querendo vender mais sempre também quer pagar salários menores.
Defender o aumento dos salários no Brasil é lutar pela redução das desigualdades.
Defender o aumento dos salários no Brasil é lutar pelo crescimento do mercado consumidor.
Defender a redução da jornada de trabalho também é lutar pela redução das desigualdades.
Pelo fim do fator previdenciário!
Pela recuperação do poder de compra dos aposentados!
Pela extensão da seguridade social a todos os trabalhadores!
Professor Aristides















