segunda-feira, 17 de maio de 2010

A casa e os salários

Professor Aristides

A vida se desenvolve, sob muitos aspectos, em casa, onde há o convívio entre pais, irmãos, parentes, vizinhos e visitas. Em casa as pessoas possuem ferramentas, biblioteca, computador, televisão, despensa, geladeira e se sentem seguras.

A casa depende de sua localização, do seu entorno arquitetônico, socio-econômico, cultural e político. Nesse entorno, o fundamental é o emprego, pois com ele tem-se salário e, consequentemente, acesso às mercadorias e serviços.

Os salários precisam ser bons, pois assim as pessoas conseguem manter suas casas, ter boas escolas para si e para seus filhos, saúde, seguridade social, justiça, habitação, lazer, cultura e relacionamentos de maior escolaridade.

No campo, a pequena propriedade funciona como casa e como emprego. Daí a importância da Reforma Agrária e da criação de mecanismos de proteção às comunidades nativas, tradicionais e agroecológicas.

Nos últimos oito anos o salário mínimo no Brasil cresceu significativamente.

Em abril de 2002: salário mínimo igual a 86 dólares.

(Fonte: polnewsno.blogspot.com/ acesso em 02/04/2010)

Em abril de 2010: 289 dólares.

Além de fazer bem aos trabalhadores e às suas famílias, os bons salários fazem bem à economia do país, pois engrandecem o mercado consumidor e, assim, a indústria e a agricultura vendem mais, geram mais empregos e elevam ainda mais os salários.

Alguns setores reclamam do aumento de salários. Há empresas que não conseguem se adaptar à nova realidade e quebram. Empreendimentos rurais que respeitam a legislação trabalhista e cujos produtos agrícolas são muito baratos no mercado também sentem dificuldades com esse aumento. Muitas famílias não conseguem manter seus empregados ou empregadas domésticas.

Os aposentados, embora não reclamem do aumento do salário mínimo, sentem drasticamente a defasagem crescente entre o aumento do mesmo e o de seus proventos, justamente quando atingem a idade em que os planos de saúde e os remédios lhes ficam mais caros.

Como os salários na Europa, Japão e EUA são muito maiores, há uma margem grande para o seu crescimento no Brasil, sem prejuízo para os preços dos seus produtos enquanto concorrentes no mercado internacional.

Em quase todos os países europeus, o salário mínimo está à frente do Brasil. Vejamos alguns, por exemplo, em janeiro de 2009:

- Luxemburgo: 1642 euros. (3942 reais)

- Irlanda: 1462 euros. (3508 reais)

- Bélgica: 1387 euros. (3328 reais)

- França: 1321 euros. (3170 reais)

- Portugal: 450 euros. (1080 reais)

Fonte: Eurostat. (www.bomdia.lu > acesso em 31/03/2010)

Fonte: 1 euro igual a 2,40 reais (oglobo.globo.com/plantão/ > acesso em 02/04/2010)

Como um certo índice de trabalhadores desempregados empurra os salários para baixo, o sistema capitalista até parece ter um mecanismo intencional de manutenção de um alto nível de desemprego. Funcionando assim, os trabalhadores precisam reagir estando sempre sindicalizados e em estado de mobilização para a defesa dos empregos e dos salários, pois o patrão, contraditoriamente, embora sempre querendo vender mais sempre também quer pagar salários menores.

Defender o aumento dos salários no Brasil é lutar pela redução das desigualdades.

Defender o aumento dos salários no Brasil é lutar pelo crescimento do mercado consumidor.

Defender a redução da jornada de trabalho também é lutar pela redução das desigualdades.

Pelo fim do fator previdenciário!

Pela recuperação do poder de compra dos aposentados!

Pela extensão da seguridade social a todos os trabalhadores!

Professor Aristides

Soim em Paracuru


Em Paracuru ainda existem soins ou saguis,











apesar do desmatamento acelerado. No final de 2009, eu fotografei alguns deles.


Eles saltam de galho em galho entre as folhagens.






Este ao lado parecia estar posando para as fotos.













Quanto eles aparecem lá em casa nós lhes damos bananas. Eles também gostam de pão.












Dizem que a meninada atira pedras nos soins com baladeiras. Eu nunca vi. No entanto, alguns afirmam que eles estão diminuindo em número.






Eu não sei se deveria haver um movimento para salvar os soins de Paracuru. O que você acha?












Eles são espertos. Dificilmente mais de um ao mesmo tempo chega aos alimentos. Eles fazem revesamento.
























































































domingo, 9 de maio de 2010

Uma sugestão para os Serviços Públicos

Quando se tem um plano de saúde com alguma respeitabilidade, basta pegar o telefone e agendar a consulta. No dia da mesma, no consultório, há recepcionistas que, por telefone, lembram o horário ou avisam sobre mudanças. Na sala de espera há cadeiras almofadadas e revistas. Mesmo que haja um grande atraso, pois a Medicina não é uma ciência exata, o atendimento acontece.

Nas recepções dos postos de saúde públicos, apesar da solicitude de uma parte dos funcionários, há uma fila grande para se pegar uma senha para ser atendido após alguns meses. Fila para pegar senha. Fila para pegar senha. Quem chega depois das cinco da manhã pode ficar sem. Imaginem o que se passa no pensamento e nos sentimentos de uma pessoa doente, por exemplo, com câncer, quando tem que esperar meses para ser atendida.

Para intimidar aqueles que porventura queiram reclamar, alguns funcionários colocam um cartaz dizendo que “desacato, mesmo semântico, a funcionário público é crime” segundo a lei tal e tal e está sujeito a tantos anos de prisão.

Será que o suposto desacato não poderia ser interpretado como legítima defesa? Será que aqueles que fixam essa placa não estariam, antes, ferindo o Princípio da Eficiência?

Sugiro para melhorar muito o serviço público, que ele deveria primar por um bom atendimento por telefone pois, apesar das empresas de telecomunicações, quase toda a população do Brasil tem acesso à telefonia. Isso evitaria os sofrimentos e os gastos provocados pelo sistema de transportes públicos, incômodos com a locomoção quando se está adoentado, os prejuízos com as faltas ao emprego, os transtornos com os cuidados com os filhos, o desperdício de tempo e outros profundos infortúnios.

Todos os serviços públicos deveriam implantar um sistema de senhas quando não for possível atender na hora ou no dia, as quais seriam fornecidas por telefone ou internet.

Todo o andamento da prestação de serviços públicos deveria ser divulgado pelo internet, em tempo real. Deveria haver confirmação por telefone, bem como avisos sobre adiamentos, cancelamentos ou atrasos nos horários.

Deveria não deixar as pessoas em pé, sem água e sem café. Em caso de grandes atrasos, a repartição deveria ser obrigada a fornecer lanche gratuito aos usuários.

Deveria fornecer informações corretas para que as pessoas não fiquem zanzando de um lugar para outro, perdendo tempo e a paciência.

Deveria ser cordial: oi, olá, bom dia etc.

Deveria prestar maiores atenções para idosos, crianças, grávidas e deficientes.

Deveria sinalizar exaustivamente ruas e caminhos, bem como os guichês e salas das repartições.

Deveria cuidar da higienização e limpeza total dos bebedouros, cafés e cozinhas.

domingo, 2 de maio de 2010

Uma sugestão para o Sistema Educacional

Um grande problema da educação pública no Ceará não está somente na qualidade da escola ou na formação do Educador.

É certo que a temperatura nas salas de aula, que chega a muito mais de 30 graus todos os dias, causa indisposição e um mal estar muito grande nos alunos e nos educadores. A insegurança no interior da escola e no seu entorno é uma importante e justa alegação dos alunos para faltar às aulas, reforçando a tendência à evasão.

É certo, também, que professores com salários aviltados, sobrecarregados de trabalho e em salas sem ventiladores ou ares condicionados, não rendem o quanto poderiam render.

Esse grande problema, no entanto, está no entorno físico e cultural em que os alunos estão inseridos. Residências sem espaço físico, sem materiais de estudo e sem livros e revistas. Famílias, vizinhos e amigos apartados da educação escolar e sem condições de acompanhar a vida escolar das crianças e jovens. Escassez de serviços públicos de qualidade.

Analisando por outro prisma, escolas privadas são reputadas como boas. No entanto, é preciso observar que muitos de seus alunos frequentam escolas paralelas de alto nível e possuem amigos, familiares e vizinhos com nível superior de estudos. Frequentam, por exemplo, academia de ginástica, cursinhos de matérias específicas ou de redação, curso de inglês e aulas de violão. Quando estão com dificuldade, muitas vezes contratam aulas particulares. Possuem TV a cabo e acesso à internet.

O problema, dirão alguns, é a desigualdade social gerada pelo capitalismo. Eu concordo, porém enquanto estivermos sob esse sistema temos que torná-lo o mais humano possível.

Proponho, portanto, para os alunos das escolas públicas, que sejam criados “Salões de Tarefas de Casa e de Atividades Paradidáticas”, os quais funcionariam em salões de igrejas, nas próprias escolas, nas associações de moradores, em centros comunitários, garagens e sob mangueiras. Os orientadores desses salões seriam irmãos, mães, pais aposentados, obreiros de igrejas, irmãs de caridade e universitários. Seriam uma espécie de “mãezonas, tiozões ou monitores” próximo da residência dos estudantes.

Além da ajuda nas tarefas de casa, essas "mãezonas" receberiam treinamento para atuarem como orientadoras das famílias nas questões educacionais.

Esses monitores receberiam bolsas de trabalho dos governos estadual ou municipal, mediante apresentação de um plano de atividades e um determinado número mínimo de estudantes interessados.

Professor Aristides.